Distribuição de renda, consumo e estrutura produtiva: uma análise a partir das matrizes de contabilidade social e financeira para a economia brasileira
Resumo Este estudo objetiva analisar o impacto da melhora nos indicadores distributivos, verificada nos anos 2000, sobre a estrutura produtiva, como essa dinâmica afetou a trajetória de crescimento econômico da economia brasileira e sua repercussão sobre a distribuição de renda. O estudo baseia-se nos multiplicadores de contabilidade social, obtidos a partir das Matrizes de Contabilidade Social e Financeira (MCSFs) para os anos de 2005, 2008 e 2017. Os principais resultados sugerem limitação da capacidade de crescimento da economia, a despeito da melhora nos indicadores distributivos, cujos estímulos foram rapidamente absorvidos por uma dinâmica concentradora presente na estrutura produtiva. Esse resultado sugere endogeneidade entre distribuição de renda e estrutura produtiva, e remete à necessidade de serem adotadas políticas que compreendam essa dinâmica, de modo a adotar medidas mais efetivas e inovadoras no combate ao problema distributivo, visando obter um crescimento econômico que seja não apenas sustentável, mas também inclusivo.