Este artigo analisa os efeitos do Programa Bolsa Família (PBF) na alocação de tempo de jovens mães (15-29 anos) no Rio Grande do Sul, com dados do Censo 2010. Utilizando logit multinomial e Propensity Score Matching (PSM), investigase se as beneficiárias têm maior propensão de ser nem-nem (nem estuda e nem trabalha) O logit multinomial indica que o PBF eleva em 60% a chance de serem nem-nem e em 53% a de só estudar, em comparação a estudar e trabalhar. O PSM aponta efeito médio modesto, mas mostra heterogeneidade etária: entre 21-29 anos, a probabilidade de serem nem-nem supera em 8 pontos percentuais a de não beneficiárias. Esses resultados apontam para a necessidade de revisar o desenho do PBF e integrá-lo a políticas ativas de emprego, educação e cuidado infantil, de forma a reduzir a inatividade e promover maior autonomia econômica entre jovens mães.