Este artigo analisa o declínio e a extinção da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap), organização pública criada para apoiar a modernização da administração pública do estado de São Paulo. A partir de um estudo de caso qualitativo, baseado em análise documental e 33 entrevistas com atores-chave, o artigo identifica um mecanismo cumulativo de desinstitucionalização que antecedeu a decisão formal de extinção. Os resultados indicam que a perda de legitimidade político-institucional, a restrição de recursos financeiros e a erosão da capacidade técnica e administrativa se articularam de forma interdependente ao longo do tempo, tornando a organização progressivamente vulnerável. Ao deslocar o foco analítico do momento decisório para a trajetória organizacional que o antecede, o artigo contribui para o debate em Administração Pública sobre terminação e reorganização institucional, demonstrando que a extinção organizacional no setor público é a culminação de um processo relacional de erosão, e não apenas o resultado de uma decisão política isolada.